sexta-feira, 12 de setembro de 2014

3ª Olimpíada de Língua Portuguesa

Olimpíada de Língua Portuguesa
       Professores e alunos da rede pública participaram da 3ª Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, que é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e da Fundação Itaú Social. Muito mais que um concurso de textos, a Olimpíada é uma oportunidade para o aperfeiçoamento de professores e uma ocasião especial para os alunos da rede pública desenvolverem competências de leitura e escrita. Os textos selecionados na etapa escolar foram para a Comissão Julgadora Municipal, que foi composta pelos seguintes profissionais: profª  Cremilda Martins Fuerst, profª Elizete Mainardes Appel, profª Ilse Vicente, representante da GERED Cristina Schoeffel e a poetisa Glícia Murara Neidert. Textos selecionados:
       POEMA
Título: Rio Negrinho de ponta a ponta
Aluna: Rita Fernandes Padilha
Professora: Eliane Neppel Pscheidt
Escola: EMEB Ricardo Hoffmann
MEMÓRIAS LITERÁRIAS
Título: Simples de se viver
Aluna: Hérica da Costa Luz
Professora: Sônia Aparecida Ribeiro Heckler
Escola: EMEB Lucinda Maros Pscheidt
CRÔNICA   
Título: Meu colega de classe
Aluna: Caroline Luiza Freitas Urbano
Professora: Sônia Aparecida Ribeiro Heckler
Escola: EMEB Lucinda Maros Pscheidt
       Parabenizamos a todos os alunos e professores que participaram da Olimpíada. Os textos selecionados nessa etapa representarão o município na etapa estadual.

                                       POEMA                   
                     Rio Negrinho de ponta a ponta


Rio Negrinho! Nessa cidade
Para sempre vou viver
E aos passar dos anos
Ver meus filhos crescer

Agora que já contei que vivo a sonhar
Essa cidade de ponta a ponta vamos explorar

Se você é um explorador como eu
E procura diversão
Vá a praça do avião
E solte a imaginação!

Se você é mais disposto
E adora fazer graça
Que tal um passeio
De Maria Fumaça?

E ainda tem muito mais
Para relembrar alguns anos atrás
Existiu a CIMO
Onde trabalharam nossos pais.

Durante tantos anos muita coisa aconteceu
Desde a casa das Nações a existência do Museu.

Até você vai ficar maravilhado
Com o nosso Natal Encantado.

                          MEMÓRIAS
                      Simples de se viver

        Contava lá pela década de 1940, tudo era muito simples. As casas eram construídas com madeira retirada do próprio terreno, cerradas pelos homens que vinham de todo lado, geralmente parentes do noivo ou da noiva. Foi assim que a casa de meus pais foi construída. Não pense que era serra dessas de hoje, a gasolina ou a óleo. Apenas dois homens podiam derrubar aquelas imensas árvores, que depois eram arrastadas por bois ou cavalos e levadas até o local da construção. Tudo era feito a mão. As telhas eram também de madeira, no formato certo para que todas fossem encaixadas. Erguiam-se imensos casarões que durariam para sempre. A casa de minha avó está lá para quem quiser ver. As árvores eram derrubadas sim, mas o povo tinha consciência e só tirava da natureza o que necessitava para viver. Assim era com a água, animais e todo o resto. A alimentação era retirada do cultivo da terra e dos animais que criávamos. Meu pai era criador de gado, cavalo para o transporte, vaca leiteira e boi. Vendia aos tropeiros que passavam de vez em quando por nossa propriedade. Eu ouvia lá da cozinha toda a negociação. O dinheiro tinha o nome de Réis.
       - A boiada vendo por 1000 réis, tropa de cavalos 2000 réis, o restante fazemos na base da troca.
        Sim, na base da troca. Os tropeiros eram a única ligação com a cidade mais próxima, então trocávamos a mercadoria por sal, café, tecido e outras coisas. Não era como hoje. O açúcar era mascavo, não existia o branquinho, com o trigo acontecia a mesma coisa. O tecido mais usado era o tergal e “saco” feito de algodão. Depois de retirar os alimentos e armazenar em garrafões, barris ou latões o saco passava por uma lavagem apurada, até ficar branquinho e se transformar em camisas, calças, bermudas e até roupa íntima para toda a família. As mulheres daquela época tornavam-se excelentes costureiras. Tinha meus sete anos quando os moradores da região decidiram que ali necessitaria construir uma escola e que a comunidade deveria se unir para conseguir. Não demorou muito e lá estava ela num local escolhido, onde todos daquele lugar tivessem acesso. Ficava longe da minha casa, levantávamos ainda no escuro, os mais velhos acordando e arrumando os mais novos e com o orvalho no rosto e nos pés pegávamos o carreiro por dentro da mata fechada. Na mão, a sacolinha feita de algodão para o caderno, cartilha, lápis e borracha. Lanche, na escola, não tinha. Cada um levava o seu. Nosso lanche era paçoca de carne feita no pilão e pão feito em casa. Lembro bem, quem não queria enfrentar o caminho descalço usava o tamanco feito de madeira e couro curtido, e para não passar vergonha usava o sapato durante as aulas, que eram levados na mão, lógico, não dava para estragar, eles eram comprados na cidade. Uma parte do dia era dedicada à escola e o restante aos afazeres da casa, cada um tinha sua tarefa. Eu, tão pequena já cumpria com a obrigação, cuidar do meu irmão mais novo, tratar as galinhas e recolher os ovos.
           Depois do serviço feito, era hora de jantar, todos em volta daquela mesa imensa com lugar suficiente para aconchegar, junto ao fogão de lenha, os doze filhos, meu pai e minha mãe. À noite, chegava o lampião de querosene e iluminava; era hora da tarefa escolar, sob os olhares atentos de meu pai. Seu olhar falava e todos nós entendíamos. O respeito não podia faltar.
            Os dias mais felizes! Posso contar, eram as tardes de domingo. Eu e meus irmãos podíamos sair para brincar. Era uma festa, pular o riacho pendurado no cipó, deslizar sobre o grande pinheiro descascado em cima de um pelego já surrado, tomar banho no rio, andar a cavalo pelos campos, brincar de esconde-esconde, subir nos pinheiros, balançar nas árvores, comer as frutas direto do pé, sapecar pinhão com fogo feito com grimpa do pinheiro, fazer cabana de folhas e taquaras.
            Sabe! Pensando bem, aquele pinheiro não foi deixado ali por acaso. Meu pai havia fabricado um grande escorregador e lá da varanda ouvindo seu rádio, espiava e se divertia junto com a gente.

                        CRÔNICA
                  Meu colega de classe

          Faz muitos anos que frequento a escola e se tem uma coisa da qual não esquecemos é aquele colega “chato”. Por quê? Porque simplesmente é aquele que incomoda a turma toda e não se liga. Acaba com a aula do professor e nem pergunta se estamos ou não interessados no assunto. Sempre tem alguém para puxar um “cochicho” e iniciar uma conversa sem graça. Brinca de “lutinha” como se fosse aluno lá do primário. Passa as aulas desenhando e não é aula de Arte. Pede cola na hora da prova porque nunca tem a matéria. Perturba para colocar seu nome no trabalho da equipe, e nem sequer ajudou. Não usa roupa adequada para as aulas de Educação Física, nem uniforme porque acha que escola foi feita para desfile de moda. Disfarça e joga lixo no chão, gruda o chiclete na carteira, sem contar aquele movimento horrível de mascar. Fura fila e dá empurrão. Vive exibindo o celular, até parece que só ele tem. Juro! Ele é sem noção. Diz meu professor de Ciências que o homem levou bilhões de anos para evoluir. Será que vou passar meus poucos anos de vida convivendo ainda com certos “Homens da Idade da Pedra” e para piorar da “Pedra Lascada”, até parece que não conhece civilização. Às vezes, é irritante ouvir a mesma ladainha dia após dia. Enquanto isso, o NERD não se liga! Não se toca! Desculpem! Não foi isso que quis dizer, NERDs, isso é elogio. Quis dizer MERDs. Minha mãe me educou, dizendo sempre. Filha! Tenha educação, escute os mais velhos. Não desperdice seu tempo, aproveite para estudar. Respeite seus professores. Cuide mais das coisas dos outros do que das suas. Não destrua o patrimônio público, ele é nosso também. Ajude mais do que seja ajudada. Não contribua para destruir e sujar a natureza. Pense antes de falar. Nunca se irrite... Conte até dez, violência não leva a nada. Não procure confusão, use roupas adequadas para cada ocasião. Respeite e ajude seu colega. Nunca deixe de estender a mão para quem necessitar. Respeite as regras, elas são feitas para serem seguidas, se não for assim não haverá negociação. A cada dia que passa percebo que ela tem razão. Agora entendo quando ela diz: “ O que o berço dá, só a cova tira”. Acho que está na hora de alguém pensar em pais assim. Quem sabe um CHIP implantado de fábrica não seria a solução? O mundo seria bem melhor...  Eu bem mais feliz... E o meu colega quem sabe assim, teria solução.

     

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